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O Brasil, país do futuro?

  • Foto do escritor: Aldemar Almeida
    Aldemar Almeida
  • há 12 horas
  • 3 min de leitura

Monsenhor João Medeiros Filho

A Semana da Pátria lembra minha infância. Os professores diziam que o Brasil seria o país do futuro. Falava-se de riquezas minerais, água abundante, solo fecundo, florestas densas etc. Ledo engano. O que fora transmitido equivale a dizer que o proprietário de uma loja de tintas seria um excelente pintor. Ou então, o dono de uma marmoraria, um exímio escultor. O que faz deles primorosos profissionais não é apenas a tinta ou o granito. São ideias que povoam suas mentes. Por essa razão, se por um lado, somos um país tão portentoso; de outro, há uma nação pouco desenvolvida. Carece de criatividade, pujança, projetos e políticas corretas para essa terra promissora. Isso demonstra que não sabemos pensar. Nossas instituições científicas, pedagógicas e políticas voltam-se para isso?

Um povo se molda a partir de ideias e projetos. Prova disso são os países parcos de recursos naturais, todavia ricos na arte de raciocinar, desenvolver tecnologias e construir. Questionar é essencial. O pensamento é como a águia que alça voo nos espaços vazios e desconhecidos. É deletério para a arte de pensar o ensino de respostas prontas. As escolas foram criadas, não só para dar respostas, mas sobretudo para ensinar a refletir e questionar. O raciocínio permite-nos navegar por oceanos e céus incógnitos. Alunos são premiados pelo que repetem, e não pela criatividade. 

Respostas são apenas como pés apoiados na terra firme para o impulso inicial do voo. Os pássaros, antes de voar, aprendem a se firmar sobre o solo. As crianças, antes de começarem a andar, têm que saber ficar firmes sobre o chão. Isso representa as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já obtiveram respostas. O sabido é o impensado, que fica guardado, pronto para ser usado como pontapé, na memória desse computador que é o cérebro. Basta clicar a tecla adequada para que os dados apareçam no vídeo de nossa consciência. Toca-se no botão feijoada e aparece na tela cerebral: panela de barro, carnes, feijão, temperos, seguidos de uma série de instruções sobre o preparo.

Memória é a gravação do passado. Importante para se repetir aquilo que nos fora legado. Isso é tentador, a ponto de nos fazer esquecer que é preciso voar. Permite que se ande pelas trilhas conhecidas. Mas, nada têm a dizer sobre mares ignorados. Há quem, de tanto repetir receitas e respostas, metamorfoseia-se em águia com corpo de tartaruga. E não são poucos os que agem assim, mesmo detentores de diplomas universitários. Aí, reside o perigo de algumas escolas. De tanto insistir no legado do passado, os alunos esquecem o seu destino, um futuro que se abre em seu horizonte. Este só poderá ser explorado com as asas da reflexão que nos levam ao ninho da criatividade e realização. “Pensai em tudo o que é verdadeiro e justo...” (Fl 4,8).

Na pedagogia atual, o primeiro momento da educação é a transmissão do que se sabe. As gerações adultas transmitem aos mais jovens conceitos que imaginam funcionar. Nossas escolas não ensinam a criar, mas a repetir. Fazem parar no conhecido e não nos permitem ir ao novo. A vida é busca de descoberta, de crítica filosófica. As academias estão renunciando à sua missão criadora, permanecendo no hábito comodista de não pensar. Até as críticas ideológicas são meras repetições. Nossas instituições de ensino têm preparado repetidores com o codinome de pensadores. A política brasileira parou no tempo, submissa completamente ao sistema. O Brasil não se renova. As instituições educativas não ensinam a refletir e criar, mas a repetir. O apóstolo Paulo recomenda: “Não vos conformeis com este mundo, mas renovai-vos pela transformação da mente” (Rm 12,2).








 
 
 

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