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Vigilância viral: Estudo identifica comunidade de vírus do esgoto de Natal

  • Foto do escritor: Aldemar Almeida
    Aldemar Almeida
  • 12 de set. de 2024
  • 4 min de leitura

Marcos Neves Jr. - Agecom/UFRN

Vigilância epidemiológica baseada em esgoto ajuda a identificar surtos de doenças 


Você já se perguntou quanto o esgoto pode revelar sobre um lugar? Mesmo em uma cidade conhecida, entre outras coisas, por seu mar matinal e agradável, há muito a se conhecer a partir da análise das chamadas águas residuais. Ao estudá-las, uma pesquisa do Laboratório de Biologia Molecular e Genômica (LBMG/UFRN) organizada pela comunidade de vírus todos os presentes, gerando dados de grande interesse para a compreensão das dinâmicas desses organismos, bem como para o desenvolvimento de políticas externas à saúde pública do município.


Com resultados publicados na revista Environmental Pollution, o estudo examinou amostras de três das principais estações de esgoto de Natal (Baldo, Beira-Rio e Ponta Negra) ao longo de um ano, entre junho de 2021 e maio de 2022. As coletas semanais foram Foram submetidas ao sequenciamento de DNA e RNA, método que possibilitou o mapeamento dos vírus circulantes e as flutuações das comunidades durante o período. Há poucos trabalhos longitudinais nessa temática no Hemisfério Sul, o que representa um diferencial da pesquisa.


O estudo integra a tese de Julia Firme Freitas, defendida na última sexta-feira, 30 de agosto, no Programa de Doutorado em Biotecnologia – Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio). De acordo com a pesquisadora, primeiro autor do artigo, a publicação deste trabalho contribui para a saúde pública do município de Natal, forneceu informações sobre os principais patógenos existentes nas águas residuais da cidade.

Pesquisadoras Julia Freitas e Lucymara Fassarella, orientadora da tese, apresentando resultados do trabalho em congresso


“Apontamos biomarcadores que podem ser usados ​​para monitoramento e prevenção de surtos de doenças. As descobertas auxiliam na criação de estratégias mais eficazes para o controle de infecções e podem para a proteção da população contra ameaças emergentes”, explica, ressaltando ainda que o estudo complementa a vigilância genômica já aplicada em Natal.

“Esse princípio analisa individualmente pacientes pacientes. No entanto, quando comparadas, as vigilâncias genômicas e epidemiológicas, a última é mais rápida e avalia várias pessoas ao mesmo tempo, tornando-se mais rápida. Por isso, realizamos uma vigilância epidemiológica a partir das amostras de esgoto, conseguindo avaliar toda a população (sintomática e assintomática)”.

Segundo Julia Freitas, entre os vírus de DNA que infectam vertebrados, os mais frequentes são os gêneros MastadenovírusCitomegalovírus e Poliomavírus. No entanto, ela chama a atenção para o fato de, em 2022, já terem sido identificados nas águas do esgoto os gêneros Yatapoxvirus e Orthopoxvirus , sendo este último o que abriga a espécie Mpox, causadora da doença de mesmo nome.


A coordenadora do LBMG e uma das autoras do artigo, a professora Lucymara Fassarella, do Departamento de Biologia Celular e Genética (DBG/UFRN), destaca o caráter inovador do estudo. Para a pesquisadora, a análise de redes de co-ocorrência viral permitiu identificar possíveis biomarcadores, como o vírus Volepox, que geralmente comete ratos, e o herpesvírus Anatid 1, ligado à enterite viral dos patos.

“Esses biomarcadores podem ser extremamente úteis para futuras investigações epidemiológicas e para a vigilância de saúde pública. Além disso, descobrimos que membros da família Coronaviridae apresentavam alta centralidade nas redes de co-ocorrência, conectando-se até o mesmo com vírus não classificado. Isso indica que esses vírus podem ter um papel central nas dinâmicas virais presentes no esgoto”, detalha Lucymara.

Como exemplo, um pesquisadora cita a ainda recente pandemia de covid-19. Naquele período, segundo a pesquisa, ficou evidente que tecnologias como o metaviroma, análise baseada no sequenciamento de DNA e RNA de vírus extraídos de amostras ambientais, desempenham um papel crucial na detecção e no monitoramento de surtos de doenças.

Amostras de esgoto de Natal revelam a presença de vírus circulantes e as flutuações sazonais das comunidades virais

Os dados revelaram também uma associação entre sequências de Coronaviridae nas amostras de esgoto, volume de chuvas e o número de casos relatados de covid-19. Isso, na avaliação da pesquisadora, sugere a possível influência de fatores climáticos na presença e na abundância de certos vírus em ambientes urbanos, o que pode impactar de maneira relevante as estratégias de vigilância epidemiológica baseada no esgoto.

“Nosso trabalho acrescenta uma nova dimensão a esse campo ao destacar a diversidade e a complexidade da comunidade viral em esgotos urbanos, além de enfatizar a importância de entender o papel dos vírus não classificados. Esses vírus, que ainda não foram completamente treinados, podem ter implicações significativas para a saúde pública e precisam ser investigados mais a fundo”, alerta Lucymara.


Epidemiologia baseada em águas residuais

Ferramenta emergente de vigilância, a epidemiologia baseada em águas residuais (WBE – wastewater-based epidemiology) analisa indicadores biológicos ou químicos em esgotos para monitorar a saúde da comunidade. Ela é amplamente usada para estimar padrões de consumo de drogas ilícitas e, mais recentemente, rastreou a prevalência de SARS-CoV-2 durante a pandemia de covid-19. A WBE oferece dados quase em tempo real, permitindo uma rápida adaptação de estratégias de saúde pública.

Lucymara vislumbra o potencial da WBE como sistema de alerta precoce para surtos de doenças infecciosas, em complemento a métodos tradicionais de vigilância. Embora reconheça dificuldades impostas pelos altos custos e pela complexidade técnica das tecnologias de sequenciamento — eventualmente agravadas por infraestrutura inadequada, recursos financeiros limitados e problemas de governança —, a pesquisadora classifica a ferramenta como promissora para um monitoramento abrangente em nível comunitário.

“Para superar esses desafios, é necessário capacitar recursos humanos e investir em infraestrutura a fim de garantir que a vigilância genômica possa efetivamente ser utilizada”, analisa a professora Lucymara Fassarella, visando à adoção plena da epidemiologia baseada em águas residuais.


E por falar em capacitação de recursos humanos, Julia Freitas também aborda as perspectivas futuras de sua pesquisa e de outros resultados encontrados nas amostras coletadas no esgoto de Natal. “Tenho ainda a parte de bactérias na qual estou trabalhando para publicar. Além disso, os dados gerados podem levar a uma infinidade de análises”, afirma a pesquisadora.

Intitulado Metaviromic reveals the dynamics and diversity of the virosphere in wastewater samples from Natal, Brazil (Metaviroma revela a dinâmica e a diversidade da virosfera em amostras de águas residuais de Natal, Brasil — em tradução livre), o estudo é assinado também pela pesquisadora Thais Teixeira Oliveira, do LBMG. É possível conferir outras atualizações e acompanhar as atividades do LBMG no Instagram do laboratório.

 

 
 
 

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ben franco
10 de abr.
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Wastewater viral monitoring is a powerful way scientists track the spread of diseases in a community. By analyzing sewage, researchers can detect viruses early and understand trends without relying only on individual testing.

For students, this topic connects to biology, public health, and data analysis. It shows how science can be applied in real-world situations to protect communities and improve decision-making.

With UNICCM School, learners can explore these concepts through structured online resources, helping them understand how science, data, and health systems work together in modern society.

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