“Água e Gênero: onde a água flui, a igualdade floresce” : 22/3 – Dia Mundial da Água 2026
- Aldemar Almeida

- há 19 horas
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Em 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Mundial da Água em solo brasileiro. A data foi lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, no Rio de Janeiro, como um esforço da comunidade internacional para colocar em pauta as questões essenciais que envolvem os recursos hídricos no planeta. Todos os anos a ONU propõe um tema para discussão. Em 2026 foi escolhido “Água e Gênero: onde a água flui, a igualdade floresce”.
A crise global da água afeta a todos, mas não igualmente. Onde as pessoas não têm acesso a água potável e ao saneamento básico perto de casa, as desigualdades se alastram, com mulheres e meninas sofrendo as consequências mais graves: – Elas coletam água.– Elas gerenciam a água.– Elas cuidam de pessoas que adoecem por causa da água contaminada.– Elas perdem tempo, saúde, segurança e oportunidades.– E, com muita frequência, os sistemas que regem a água excluem mulheres e meninas da tomada de decisões, da liderança, do financiamento e da representação.
Dados de várias agências da ONU indicam que:
– Globalmente, mais de 1 bilhão de mulheres – mais de um quarto de todas as mulheres (27,1%) – não têm acesso a serviços de água potável gerenciados com segurança. – 1,8 Bilhão de pessoas ainda não têm água potável em suas residências e, em dois terços dos domicílios, as mulheres são as principais responsáveis pela coleta de água.
– Em 53 países com dados disponíveis, mulheres e meninas gastam 250 milhões de horas por dia na coleta de água – mais de três vezes acima do que homens e meninos. – Globalmente, água, saneamento e higiene inseguros são responsáveis pela morte de cerca de 1.000 crianças menores de cinco anos todos os dias.
– Cerca de 14% dos países ainda não possuem mecanismos para garantir que as mulheres possam participar igualmente da tomada de decisões e da gestão da água. Isso faz da crise da água uma crise das mulheres. É preciso uma abordagem transformadora, baseada em direitos, para solucionar esses desafios, onde as vozes das mulheres sejam ouvidas e sua capacidade de ação reconhecida. Elas devem ser representadas de forma equitativa em todos os níveis de liderança no setor hídrico – ajudando a projetar cada encanamento e políticas.
Devem impulsionar a mudança no setor hídrico como engenheiras, agricultoras, cientistas, trabalhadoras de saneamento e líderes comunitárias.
Diante dos crescentes riscos enfrentados, desde as mudanças climáticas e desastres relacionados à água até a escassez de financiamento, passando por normas sociais e lacunas de governança, é necessário que todos desempenhem seu papel integral: gerenciando a água como um bem comum e construindo resiliência para o futuro.
Isso inclui o engajamento de homens e meninos como aliados na promoção de água potável, saneamento e higiene para todos, e no combate às normas e comportamentos que impedem o progresso de mulheres e meninas.
Somente assim os serviços de água potável poderão atender às necessidades de todos – capacitando mulheres e meninas a terem vidas mais saudáveis e plenas – e tornando a água uma força para o desenvolvimento sustentável e a igualdade de gênero, beneficiando a todos.
A água é um recurso fundamental para a vida, desempenhando um papel essencial em todas as áreas, desde a saúde até o desenvolvimento econômico. No entanto, a importância da água vai além da simples sobrevivência; ela é a base para a prosperidade de comunidades e nações inteiras. O acesso à água potável e ao saneamento adequado é crucial para garantir a saúde pública, reduzir a propagação de doenças e promover a dignidade humana. Investir em infraestrutura de água e saneamento não é apenas uma questão de saúde pública, mas também de desenvolvimento sustentável.
Ao garantir o acesso universal à água limpa e ao saneamento básico, podemos melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas, reduzir a pobreza, promover a igualdade de gênero e fortalecer as economias locais. Além disso, sistemas de água e saneamento eficientes desempenham um papel crucial na preservação do meio ambiente, ajudando a proteger ecossistemas aquáticos e a garantir a disponibilidade de água para as gerações futuras.
É fundamental que governos, organizações não governamentais e setor privado trabalhem em conjunto para garantir que a água e o saneamento sejam acessíveis a todos, contribuindo para um mundo mais saudável, justo e sustentável.
Censo 2022: temos água e saneamento para todos?
No Brasil, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam avanços significativos, mas também desafios persistentes nessa área crucial. De acordo com o último censo demográfico, realizado em 2022, o país alcançou a marca de 62,5% da população vivendo em domicílios conectados à rede de coleta de esgoto. Esse número representa um aumento notável em comparação com os 44,4% registrados em 2000 e os 52,8% em 2010 (AGÊNCIA IBGE, 2024). Esse progresso é um reflexo dos investimentos em infraestrutura realizados ao longo das últimas décadas. Além disso, quando consideramos não apenas os domicílios conectados à rede de esgoto, mas também aqueles com esgotamento por rede coletora ou fossa séptica, observamos um aumento consistente: 59,2% em 2000, 64,5% em 2010 e 75,7% em 2022. Esse crescimento demonstra um esforço contínuo na ampliação do acesso ao saneamento básico em todo o país.
No entanto, apesar desses avanços, ainda há desafios significativos a serem enfrentados (AGÊNCIA IBGE, 2024):
– Em mais de 2.300 municípios, menos da metade dos habitantes residia em domicílios com esgotamento por rede coletora ou fossa séptica.– 49 Milhões de pessoas em residências sem descarte adequado de esgoto (24% da população);– 6 Milhões de pessoas sem abastecimento de água adequado (3%).Em alusão à data comemorativa, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realizará, ao longo do mês de março, uma série de atividades, com eventos técnicos, debates, ações educativas e lançamentos institucionais voltados à gestão sustentável dos recursos hídricos no país. A programação conta com a parceria da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
O ponto central das celebrações ocorrerá em 24 de março, quando a ANA realizará um evento especial em comemoração ao Dia Mundial da Água, com a apresentação de iniciativas estratégicas para a gestão hídrica no país e a presença da diretoria colegiada da Agência.
Entre os destaques estão a divulgação da Lista Positiva da Tarifa Social de Água e Esgoto, o lançamento da publicação Panorama da Implementação da Tarifa Social de Água e Esgoto, a apresentação do Painel de Monitoramento das Metas do ODS 6, o lançamento do livro do programa Produtor de Água e a assinatura de um acordo de cooperação técnica voltado à modernização da Rede Hidrometeorológica Nacional.







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